18 de outubro de 2012

O ESTADO PELO CRIME 2


A televisão bate no assunto dos viciados em crack ao mesmo tempo em que anuncia apreensões de maconha. 
Pois se o problema é o crack, por que não apreendem o crack? Onde está ele, que ninguém vê, nem  mesmo a polícia que é tão chegada a operações de "inteligência"? Ao que tudo indica, o crack tem venda liberada. A maconha é que não. Não é mesmo muito estranho? Quem estará protegendo a venda do crack?
Pois pensava em escrever sobre o assunto, mas não precisei. Recebi um texto claro e elucidativo de André Barros, advogado da Marcha da Maconha, que apoio integralmente.
Eu também quero saber quem financia esse tráfico danoso, e quem o protege. 



CRACK NO JACAREZINHO E A MACONHA

Por André Barros

Na década de 1990, quando o crack já estava bastante disseminado em São Paulo, os financiadores do tráfico de drogas ilícitas e armas do Rio de Janeiro ainda não vendiam esta droga. Porém, da mesma maneira que havia acontecido com a cocaína na década de 1980, a maconha foi usada para a introdução de outra substância. Como isso ocorreu? A estratég
ia usada por eles é retirar do mercado a maconha.

De fato, os financiadores detêm o controle da plantação, produção e distribuição no atacado e no varejo, e é evidente que são altamente beneficiados pela proibição da plantação caseira. A preferência pela maconha por 80% dos consumidores de substâncias tornadas ilícitas é empiricamente demonstrada. No entanto, ela é mais difícil de transportar e menos lucrativa.
Apesar de ser mais barato que a cocaína, o crack é altamente rentável, já que é vendido em grandes quantidades, o custo com produtos químicos é menor, de modo que se mantêm altas margens de lucro. Assim, não falta dinheiro para corromper boa parte do sistema penal, por meio das semanalmente anunciadas caixinhas.

Mais uma vez, não sabemos quem financia esse cartel e ninguém foi preso ou denunciado no Jacarezinho por conta do Artigo 36:

“Art. 36. Financiar ou custear a prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1o, e 34 desta Lei:
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 20 (vinte) anos, e pagamento de 1.500 (mil e quinhentos) a 4.000 (quatro mil) dias-multa.”

O que vemos na cobertura da mídia é apenas o espetáculo das internações compulsórias. Ignorando onde estão os financiadores, esses sim, os verdadeiros traficantes, assistimos às cenas em que milhares de jovens pobres são recolhidos pela Prefeitura. Por meio delas, os meios de comunicação manipulam a opinião pública querendo nos fazer crer que haveria possibilidade dos usuários se recusarem à internação. Então, seria possível àquelas centenas de pessoas recolhidas em ônibus no Jacarezinho e Manguinhos se dirigirem aos distantes abrigos oficiais por livre e espontânea vontade? Independentemente da controvérsia gerada pelo tema das internações compulsórias, expressão que por si só indica um pleonasmo, estas cenas com os consumidores prestam-se a retirar a atenção para os autores mediatos deste comércio ilegal.
Queremos saber quem está por trás disso tudo, quem financia esse mercado que conta com milhões de consumidores de substâncias ilícitas. Não queremos um Estado fraco com os fortes e forte com os fracos.

A proibição da plantação caseira de maconha interessa diretamente a esses misteriosos financiadores do tráfico que não são sequer denunciados no citado artigo 36 da Lei 11343/2006.
A ilegalidade do direito de plantar maconha beneficia diretamente o cartel do crack e da cocaína, que retira estrategicamente a planta da paz para a introdução de substâncias altamente danosas à saúde. Se a plantação e o consumo de maconha fossem descriminalizados, cairia o consumo de cocaína, de crack, de cigarro e de bebida.

Ao contrário de ser “a porta de entrada”, como repete o discurso midiático e do senso-comum, a maconha é a porta de saída de todas essas substâncias numa política de redução de danos.

ANDRÉ BARROS, advogado da Marcha da Maconha

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3 de outubro de 2012

A VITÓRIA DE UNS

"Não sou nada
Nunca serei nada
Não posso querer ser nada
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo"

(Fernando Pessoa)

Então é isso: não importa que os jornais divulguem todos os dias os números e os casos, vamos chamar assim, de mortes por incompetência do Estado. De quem é a culpa pela falta de esgoto, pelo transporte caótico, pelo lixo, pelos engarrafamentos, pelo medo, pelo assalto, pelo golpe, pelas calçadas eliminadas, pelo péssimo serviço de saúde e (oh!) pela inimaginável confusão que hoje se chama educação - isso ninguém sabe. Estão todos satisfeitos, estão todos conformados com o quinhão que lhes cabe e que parece já é muito. A polícia está aí para assegurar a ordem. A ordem é trazer insegurança. Agora chegam as Forças Armadas. Para que tanta alegria? As milícias não morrem. Elas são o crack da polícia. Todo o mundo tem seu vício. 

Pois então, quem sou eu para me insurgir? Quem sou eu para achar que está tudo mal e que o fato de todos terem celular não significa exatamente que saibam o que estão falando? Só de uma coisa temos certeza: somos cada vez mais burros, mais mal educados, mais primitivos. Não adianta o prefeito dizer em elaboradíssimas peças publicitárias, com sua cara de bom moço e sua camisa sempre limpinha que o amor pelo Rio fará com que nós todos, juntos, façamos um Rio melhor. Não me fará chorar com  aquela voz embargada de quem não se cansa de trabalhar pela cidade. Não deve ser assim tão difícil. Não deve ser tão cansativo, pois se fosse não repetiria a dose. E não me importa o que diz o TSE. Quem estivesse em cargo executivo não poderia concorrer A NADA. Vai fazer seu trabalho, e NUNCA usar a máquina pública para "facilitar as coisas",

Então é isso: está tudo muito bom com o povo das favelas, que só são estimulados a praticar esporte, como se o esporte fosse a única coisa que pudesse resgatar um jovem pobre do perigo do seu meio. É claro que o sistema acha que para um pobre está muito bom qualquer coisa em que ele possa se destacar. Mas um povo não é feito de gente coroada. O povo é uma outra coisa que se move em várias direções com preparo insuficiente. Não pode caminhar mais do que o sistema lhe oferece: E o sistema não lhe oferece o mais importante, que é uma educação de base e liberdade de pensamento. Tudo vem pronto, enlatado. É sempre a mesma música. 
Além disso, quem sou eu para duvidar do sistema eleitoral? Garantem que é bom, que é moderno, mas eu sei que hoje em dia, com tanta tecnologia, não há resultado que não possa ser modificado.  
Mesmo assim vou sair de Piratininga, em Niterói, atravessar a ponte e seguir até Ipanema para votar em Marcelo Freixo. Não serei eu que aumentarei a diferença. Voto consciente do fracasso. Não será a primeira vez. Mas é a primeira vez com tanta vergonha. 

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21 de setembro de 2012

INCLUSÃO SOCIAL - 3 HISTÓRIAS










“SE MORAR É UM DIREITO INVADIR É UM DEVER” (MST)





PREZADA D. DIDI,

a senhora já sabe tudo que aconteceu pela televisão
mas na televisão é uma coisa e aqui é outra

chegam primeiro os homens da prefeitura
vão construir um lugar melhor para todos
mas quando falam todos
nunca é a gente
depois chegam os polícia, chegam de noite,
pegam as nossas poucas coisas 
e levam pro caminhão.
E nós?
As meninas estão grandes e perguntam pela senhora

por isso eu lhe peço pra ajudar
pode ser qualquer coisa

de um dia para o outro
a gente não tem mais nada

e ainda está viva



PAGAR PARA VIVER

Moro nessa casa há mais de 40 anos. Nasci aqui.
Meus pais já moravam, e ainda moram, mais meus irmãos com as famílias..
Agora eles chegam dizendo que não tenho escritura
que o terreno não é meu
que a área não é segura
Chegam à noite, chegam calados e derrubam
nossa porta.
O vizinho fica quieto. Ninguém diz não.
Se disser...

A mulher chora num canto
Eu não choro mais
Há muito tempo trabalho
e até pago
para ser pobre


O FIM DO AZUL

O homem chegou e disse que o governo ia precisar
desapropriar o meu terreno
e derrubar a minha casa
A prefeitura, ele diz, vai me indenizar e me dar uma casa melhor.

Sei, uma casa melhor a léguas daqui, onde vou perder horas no transporte
e toda a freguesia.
Mas tinha jeito?
Assinei o papel.

Perdi o direito até de olhar o mar.
E era só olhar.



veja também.

11 de setembro de 2012

O ESTADO PELO CRIME

Cada um de nós tem manias. Eu tenho várias. Uma delas é ler classificados. Quando estou em outra cidade, por exemplo, a leitura de classificados me mostra mais ou menos o mapa da cidade e a distribuição de renda.
Também vejo propaganda eleitoral na televisão. Ao menos no início. Não porque nos informe de alguma coisa - tudo é mentira na tv, mas por causa das sensações que nos desperta. Riso muitas vezes, perplexidade, ira, revolta, outra vez o riso.
Lula apóia Eduardo Paes, como já apoiou Sérgio Cabral. "Veja a diferença entre o Rio há 30 anos e o de hoje". Que coisa! Nem ele nem Eduardo Paes sabem como era o Rio há 30 anos. Como comparar? Confesso, meus amigos: como dói!
Fernando Henrique recomenda Otávio Leite como se dissesse: não temos mesmo outra merda. Vamos com essa mesmo. Mas Fernando Henrique, lembrando Millor,"é um idiota. É o Sarney em barroco. Ele não diz coisa com coisa".
Otávio Leite promete duas professoras em cada sala de aula, mas não lhe passou pela cabeça dividir a classe em duas e confiar cada uma a uma só professora. Lula, com ar compungido, apóia Eduardo Paes com outra cara. Na época ele era O Cara, e Sérgio Cabral , na  visão dele mesmo, também era. Ambos rumo à Copa, uma fonte interminável de dinheiro (Lembrai Havelange e Ricardo Teixeira) mas antes (e rápido) a "pacificação" para o prefeito agora candidato posar de bom moço, como Sérgio Cabral fazia com os velhinhos, e o caso da Clínica Santa Genoveva foi um dos maiores exemplos.
Marcelo Freixo é, sem dúvida, o melhor candidato. Não há outra escolha se o braço gangrenado do Estado, a polícia, não buscar tratamento. Como se sabe, não há cura. O mais perto disso é não deixar que se espalhe, e é aí que Marcelo Freixo é importante, porque Eduardo Paes já fez sua opção pela guerra, ao contrário do que muitos pensam. Não há motivo para que a população pobre, além de ser pobre, seja também humilhada e engrosse, incrivelmente, a relação das mães que perderam seus filhos, dos filhos que perderam seus pais em confronto com a polícia sem que houvesse confronto ou testemunhas. "A injusta agressão", as deslavadas mentiras coletivas na comparação com as imagens. Todo o tempo o crime. Afastados para "investigações" os policiais criminosos saem das ruas e vão para a administração. Ora, também há crime na administração.

Chico Buarque e Wagner Moura apoiam Marcelo Freixo
Dudu Nobre e Diogo Nogueira apoiam (mas parece que foram pagos) Eduardo Paes. De qualquer forma, já se vê a diferença.
Há quem divulgue a farra das Olimpíadas. Mas esquecem a dos 500 anos. Governar é assim.
Não posso dizer que daqui a pouco, se eleito, Marcelo Freixo também não beneficiará sua turma. Por que não? Quem acha que isso é impossível não conhece a natureza humana.  
Paes, se tem a máquina, tem também a responsabilidade de apresentar uma boa cidade para viver. Mas o que vemos é cosmético. Asfalto ali e aqui, asfalto, asfalto ruim, porque logo estão de novo os buracos, calor, transporte insuportável, pessoas que morrem no tal BRT, policiais virados bandidos, milícias, matadores. Acho que os polícias ficam tramando planos enquanto incham suas barrigas. Sofrem todos do mesmo mal. Aliás, como é que se formam as barrigas dos policiais? Acaso será tomando cerveja? Ou depois que se formam não fazem mais exercícios? Não sabemos. Talvez só precisem exercitar o dedo e puxar o gatilho. E isso, está cada vez mais fácil.

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24 de agosto de 2012

AMOR ARMADO

Vinha do Rio para Niterói ontem à noite quando fui parada por uma blitz da Lei Seca.
Foi a primeira vez que fui parada numa blitz.
Vá lá. Quase nunca bebo e também ontem não tinha bebido. Um policial enfiou sua barriga na janela do meu carro e me pediu documentos. Entreguei. Em seguida me perguntou se concordava em fazer o teste do bafômetro e eu, que não quero espichar meu contato com polícia nenhuma e conheço as consequencias legais, só tive que engolir. Fui até a tenda, ele me mostrou o bico descartável e eu soprei naquela merda com todo o ar que era possível, a ver se me livrava da raiva que estava sentindo, da humilhação mesmo de ser parada por um babaca a partir de uma política que acha que a maioria é culpada e que todo cidadão deve se submeter à autoridade, mesmo que ela seja grossa e mal encarada.
As pessoas a quem contei o fato acham que tudo bem, que é assim mesmo, que é preciso impedir que motoristas bêbados andem por aí matando pessoas. Acontece que a grande maioria da população não sai bêbada por aí matando pessoas. A minoria é que bebe e, quando mata, não há o que a impeça. Está visto que a polícia só chega depois do morto.
O motorista atento sabe quando o motorista do outro carro está bêbado, falando no celular ou até dormindo, como acontece com frequencia. Ora, se qualquer motorista é capaz de perceber isso, por que a polícia, que é treinada, não pode? Nesse caso, a "autoridade" quando me mandou parar, depois de ver meus documentos em dia poderia ter percebido que eu não tinha bebido, e que ele bem podia me dispensar do teste, uma vez que sou (também é uma política pública) uma idosa que tem, por lei, algumas prioridades. Ao contrário, a "autoridade policial" não quer nem saber. Sabe que estou na sua mão. Sabe que se eu me negar a fazer o teste vou me incomodar mais do que fazendo. E então lá estou eu, prestando contas dos  atos que não cometi a um policial mal encarado. Se me nego: desacato.
Mas quando a polícia inferniza a vida da população causando engarrafamentos por conta de reivindicações salariais, também nenhum motorista sai do carro para dizer que é desacato infernizar a vida de quem eles devem proteger.
Aí está. Vivemos um estado policial em que a repressão é o melhor remédio. Punição, punição e punição. 
Por mais que Eduardo Paes ame o Rio, e o diga quase chorando na propaganda eleitoral, não acredito em amor armado.


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15 de agosto de 2012

CAUSÍDICOS E CAUDILHOS

O título partiu de um ato falho do Ministro Joaquim Barbosa. Ia dizer causídico, falou caudilho, logo ajeitou. É explicável. Afinal, a Justiça sempre obedeceu ao poder da hora. 
A douta Justiça é tão complicada no Brasil que a Globo resolveu colocar um tradutor dando o resumo da ópera que se descortina nas telas a propósito do Mensalão. É tão difícil o linguajar de alguns ministros, e tantas as leis a que se reportam que não é possível a uma pessoa comum nem saber se estão votando contra ou a favor. 
Hoje levou-se um bom tempo para decidir se o Tribunal escrevia à OAB fazendo queixa das ofensas feitas ao Ministro Joaquim Barbosa por três advogados, ou não. Desliguei antes. Pouco me importa o pleito infantil do Ministro e nem sei se era hora de levantar a questão.
Além disso, considerando a palavra dos senhores causídicos, todos os acusados são inocentes. Talvez o procurador geral da República seja enviado a um hospício, visto que inventou tudo isso. 
Eu, você, o cara da banca, o mecânico e o porteiro soubemos que não foi pouco o dinheiro usado por Fernando Henrique para que passasse a emenda da reeleição. Naquela época não aconteceu nada. Ninguém se indispôs com o Poder. Os que aceitaram receber receberam e tudo continuou porque como vocês sabem, a boca é boa. E a Veja era cega.
Desta vez houve uma denúncia, e num país dito democrático, refém da imprensa marrom, é sempre bom investigar. E então armou-se o circo. 
Palco, meus amigos. A Justiça também é feita de vaidade e ilusão. Vaidade, a deles, porque são inalcançáveis e usam para isso o que há de mais difícil: o próprio idioma, mas aquele que foi feito só para os que freqüentam (sim, com trema) as altas cortes. Ilusão, a nossa, que ainda que tenhamos visto quase tudo, às vezes acreditamos.
Enquanto isso, nas ruas, movimentos de categorias diversas vingam-se do Governo infernizando a vida dos outros. Que outros? Nós, impotentes ante causídicos ou caudilhos.
Para melhorar, nos acenam com quê? Eleições!
Não bastasse, vejo que a Sra. Presidente da Petrobras, Maria da Graça Foster, aceita fazer a campanha para o Criança Esperança. Ainda que de capital aberto, o Governo é o acionista majoritário da Petrobras. E a Petrobras é uma das empresas que  financiam o projeto da Rede Globo - oposicionista conhecida do Governo. Vá entender. 


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6 de julho de 2012

A MACONHA SAI DO ARMÁRIO

La marihuana sale del armario

Bem que eu poderia indicar apenas o link para leitura da matéria, mas preferi postá-la inteira, como saiu no jornal, porque me agrada ter na defesa das minhas próprias idéias o nome, um grande nome da literatura mundial. Um prêmio Nobel.
Algumas pessoas se perguntam porque o Brasil ainda não recebeu um prêmio Nobel. Eu não tenho dúvida de que junto com a valor da obra literária, a posição política do candidato é muito importante para vencer.
No Brasil, principalmente nos últimos tempos, não temos ninguém da espécie que se sobressaia. Aqui, só a política partidária, a de pior espécie, é que vinga. A política maiúscula já ninguém conhece. Por isso quando recebo uma notícia dessas fico muito feliz. É como se recebesse um texto escrito por mim mesma, vendo que a minha voz se levanta, na  companhia de Vargas Llosa e de José Mujica, - este sim um guerrilheiro que não esqueceu seu passado e não se faz de cego para os problemas reais.
Poco a poco, la batalla por la legalización de las drogas va abriéndose camino y haciendo retroceder a quienes, contra la evidencia misma de los hechos, creen que la represión de la producción y el consumo es la mejor manera de combatir el uso de estupefacientes y las cataclísmicas consecuencias que tiene el narcotráfico en la vida de las naciones.
Hay que aplaudir la valerosa decisión del gobierno de Uruguay y de su presidente, José Mujica, de proponer al Parlamento una ley legalizando el cultivo y la venta de cannabis. De ser aprobada –lo que parece seguro pues el Frente Amplio tiene mayoría en ambas cámaras y, además, hay diputados y senadores de los partidos de oposición, Blanco y Colorado, que aprueban la medida–, ésta infligirá un duro revés a las mafias que, de un tiempo a esta parte, utilizan a ese país no sólo como  mercado de la droga sino como una plataforma para exportarla a Europa y Asia. Esta ley forma parte de una serie de disposiciones encaminadas a combatir la “inseguridad ciudadana”, agravada de un tiempo a esta parte en Uruguay, al igual que en toda América Latina, por la criminalidad asociada al narcotráfico.
“Alguien tiene que ser el primero”, declaró el presidente Mujica a O’Globo, de Brasil. “Alguien  tiene que empezar en América del Sur. Porque estamos perdiendo la batalla contra las drogas y el crimen en el continente”. Y el ministro de Defensa de Uruguay, Eleuterio Fernández Huidobro, señaló, como razón central de este paso audaz, que “la prohibición de ciertas drogas le está generando al país más problemas que la droga misma”. No se puede decir de manera más lúcida y concisa una verdad de la que tenemos pruebas todos los días, en el mundo entero, con las noticias de los asesinatos, secuestros, torturas, atentados terroristas, guerras gansteriles, que están sembrando de cadáveres inocentes las ciudades del mundo, y el deterioro sistemático de las instituciones democráticas de los países, cada día más numerosos, donde los poderosos cárteles de la droga corrompen funcionarios, jueces, policías, periodistas y a veces deciden los resultados de las justas electorales. La prohibición de la droga sólo ha servido para convertir al narcotráfico en un poder económico y criminal vertiginoso que ha multiplicado la inseguridad y la violencia y que podría muy pronto llenar el Tercer Mundo de narcoestados.
Según las primeras informaciones, este proyecto de ley pondrá en manos del Estado uruguayo el control de la calidad, cantidad y precio de la marihuana y los compradores deberán registrarse y tener cumplidos 18 años de edad. Cada comprador podrá adquirir un máximo de 40 porros al mes y los impuestos que graven la venta se emplearán en tratamientos de rehabilitación y de prevención y en la creación de un centro de control de calidad del producto. En un comentario a la iniciativa uruguaya que leo en Time Magazine, por lo demás muy favorable a la medida, se recuerda el mal administrador que suele ser el sector público, y con buen juicio se deplora que  no  se deje en libertad al sector privado de llevar a cabo esta tarea, eso sí, bajo una estricta regulación.
En ese mismo ensayo se examina lo ocurrido en Portugal, donde desde hace una decena de años se legalizó de manera parcial la marihuana sin que ello haya traído consigo el aumento del consumo de drogas más fuertes, que es lo que suelen alegar que ocurrirá los que se oponen de manera irreductible a la legalización de las llamadas drogas blandas. Time Magazine recuerda además que, según las últimas encuestas, un 50% de los ciudadanos de Estados Unidos se declaran a favor de la legalización del cannabis. Extraordinaria evolución cuando uno recuerda la tempestad de críticas, y hasta de injurias, que recibió hace algunas décadas Milton Friedman cuando defendió la legalización de las drogas y predijo el absoluto fracaso de la política de represión en las que los gobiernos de Estados Unidos han gastado ya muchos billones de dólares.
El Gobierno del Uruguay, al atreverse a legalizar la marihuana, hace suyos muchos de los argumentos y estudios que viene difundiendo la Comisión Latinoamericana de Drogas y Democracia, que encabezan los ex presidentes Fernando Henrique Cardoso de Brasil, César Gaviria de Colombia y Ernesto Zedillo de México, y de la que yo mismo formo parte con otras dieciocho personas, de distintas profesiones y quehaceres, de la región. Recibida al principio con reticencias y preocupación, y a veces duras críticas, esta Comisión ha ido ganando audiencia y respetabilidad por la seriedad de sus trabajos, en los que han participado siempre especialistas destacados, por su espíritu dialogante y la clara vocación democrática que la inspira.
El problema de la droga ya no sólo concierne a la salud pública, al descarrío de tantos niños y jóvenes a que muchas veces conduce, y ni siquiera a los terribles índices del aumento de la criminalidad que provoca, sino a la misma supervivencia de la democracia. La política represiva no ha restringido el consumo en país alguno, pues en todos, desarrollados o subdesarrollados, ha seguido creciendo de manera paulatina, y sí ha tenido en cambio la perversa consecuencia de encarecer cada vez más los precios de las drogas. Esto ha transformado a los cárteles que controlan su producción y comercialización en verdaderos imperios económicos, armados hasta los dientes con las armas más modernas y mortíferas, con recursos que les permiten infiltrarse en todos los rodajes del Estado y  una capacidad de intimidación y corrupción prácticamente ilimitada.
Lo ocurrido en México es sumamente instructivo. El Presidente Calderón, consciente del enorme riesgo para el funcionamiento de las instituciones que representaba el narcotráfico, decidió combatirlo de manera frontal, incorporando al Ejército a esta lucha. Los 50 mil muertos que esta guerra lleva ya en su haber no parece haber hecho mayor mella en las actividades criminales de los mafiosos, ni haber disminuido para nada el consumo de drogas blandas o duras en la sociedad mexicana, y sí, en cambio, ha desatado una creciente desesperanza y decepción hacia el gobierno, al que se reprocha incluso, con dureza, “haber declarado una guerra que no se podía ganar”. ¡Fantástica conclusión! ¿Había , pues, que bajar los brazos, rendirse, mirar para otro lado, y dejar que los pistoleros y traficantes de la droga se fueran apoderando poco a poco de todas las instituciones de México, que pasaran a ser ellos los verdaderos gobernantes de ese país?
Evidentemente, ésa no podía ser la solución. ¿Cuál entonces? La que, con gran mérito, está emprendiendo el gobierno uruguayo. Cambiar de táctica, pues la puramente represiva no sirve y es contraproducente, ya que beneficia a la mafia, a la que enriquece y confiere más poder. En las actuales circunstancias, la primera prioridad no es poner fin a la producción y al consumo de drogas, sino acabar con la criminalidad que depende íntimamente de estas actividades. Y para ello no hay otro camino que la legalización.
Desde luego que legalizar las drogas implica riesgos. Deben ser tomados en cuenta y combatidos. Por ello, quienes defendemos la legalización siempre subrayamos que esta medida debe ir acompañada de un esfuerzo paralelo para informar, rehabilitar y prevenir el consumo de estupefacientes perjudiciales para la salud. Se ha hecho en el caso del tabaco y con bastante éxito, en el mundo entero. El consumo de cigarrillos ha disminuido y hoy día quedan pocos lugares donde los ciudadanos no sepan los riesgos a los que se exponen fumando. Si quieren correrlos, sabiendo muy bien lo que hacen, ¿no es su derecho hacerlo? Yo creo que sí y que no está entre las funciones del Estado impedir a un ciudadano que goza de sus facultades llenarse los pulmones de nicotina si le da su real gana.
Siempre he tenido una gran simpatía por el Uruguay, desde el año 1966, en que fui a Montevideo por primera vez y descubrí que América Latina no era sólo una tierra de gorilas y terroristas, de revolucionarios y fanáticos, de explotadores y explotados, que podía ser también tierra de tolerancia, coexistencia, democracia, cultura y libertad. Es verdad que Uruguay pasó a vivir luego la atroz experiencia de una dictadura militar. Pero la vieja tradición democrática le ha permitido recuperarse más pronto que otros países y hoy, quién lo hubiera dicho, bajo un gobierno de un Frente Amplio que parecía tan radical, y un presidente de 77 años que fue guerrillero, es otra vez un modelo de legalidad, libertad, progreso y creatividad, un ejemplo que los demás países latinoamericanos deberían seguir.

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