1 de maio de 2013

MACONHA LIVRE






Tudo bem, a notícia não é nova, mas o que é novo? 
Sete ministros assinaram carta favorável à descriminalização da maconha: Tarso Genro e Márcio Thomaz Bastos, que integraram o governo Lula, e Nelson Jobim, José Gregori, Aloysio Nunes Ferreira, José Carlos Dias e Miguel Reale Jr., do governo Fernando Henrique Cardoso.
Não é um time de primeira, eu diria. É um time fraco, até. Digo isso porque é pouco pedir a descriminalização. Só isso não impede o pior, que é o tráfico e a inevitável corrupção. O importante é legalizar. Não tem outra saída. E é absurdo ter que tornar legal uma coisa que diz respeito aos direitos da pessoa. 

Sete pessoas importantes que chegaram a ministros do País e não têm coragem de fazer o que é preciso. Sabem por quê? Simplesmente porque é mentira. Dizem que querem, mas não querem de fato. Estão só preenchendo espaços, posando de libertários quando são apenas neoliberais. Se quisessem mesmo, se tivessem tomado consciência de que o modelo repressor fracassou, levantariam também a bandeira da legalização. Pensam que legalizar é mais difícil, então não abraçam. E justamente por isso é difícil. Enfim, um círculo vicioso que ninguém quer furar. 
Mas a luta continua. A galera está aí, se organizando. O mês de maio - todo verde - já está pronto para acontecer. Um dia chegará em que, como eu já disse tantas vezes aqui, ninguém entenderá como foi possível que proibissem o uso de uma substância que é fruto de uma escolha pessoal. Assim como uns gostam de café e outros de chocolate. Assim como eu levo o meu baseado, você leva o seu violão ou o seu supercelular. Cada um tem responsabilidade pelas coisas que leva consigo. Livre para plantar, livre para carregar, livre para fumar - eis o sonho.
Infelizmente, vivemos num país atrasado, como são todos aqueles que têm medo. 

Abaixo, a relação das cidades onde se realizará a Marcha este ano. Se você estiver por aí, apareça. Não estará apenas defendendo um direito individual, suprimindo o tráfico que alimenta a violência; estará livrando do inferno carcerário brasileiro milhares de jovens que estavam apenas fumando um, de pleno direito, por escolha, por gosto, por prazer, coisas que ninguém está autorizado a proibir. Enquanto outros, por muito mais, seguem livres para enganar, roubar e trair.




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17 de abril de 2013

QUE BOSTON !



Esta pérola do humor negro não é minha, infelizmente. É do meu grande amigo sempre amado poeta Victor Colonna.
Os Estados Unidos, que sempre cultivaram uma política belicosa, violenta e invasora, agora estão recebendo ameaças e estão atônitos.
Exportaram o medo do terror para o mundo, Aqui, puseram-nos sob as ordens de seus agentes, treinaram exército e polícia para a tortura, em nome da segurança nacional (a deles) e agora não sabem o que fazer com o produto que tão enfaticamente produziram durante anos, desde que existem, praticamente, cuja matéria-prima é uma incomparável vocação para matar: índios, negros, mulheres, minorias em geral, vietnamitas em particular, palestinos, iraquianos e quaisquer outros habitantes de países ou etnias com os quais não simpatizem ou os negócios não saiam bem.
 As coisas que acontecem hoje e que os deixam tão perplexos, tais como massacres em  colégios, têm o mesmo conteúdo (e agora até a imagem) dos filmes que comecei a ver desde os 14, eu acho. Primeiro os de mocinho. Depois os do FBI com aqueles caras de terno com ombreira e chapéus tortos, tipo Elliot Ness, depois o 007 e outros menos cotados para finalmente chegar a Tarantino e o resto. Os norte-americanos olham para si mesmos e dizem que não estão acreditando. Que isso não faz sentido. É exatamente o que diz uma pessoa doente que não acredita na doença. Como tratá-la? Nada a fazer, a não ser esperar que tome consciência.
O Senado votou hoje contra as restrições para porte de armas. É possível que 90% da população apóie a medida, como disse Obama. Acho difícil. A cultura da guerra está muito arraigada. 
Mas os Estados Unidos sempre foi um país de vencedores. Venceram os fabricantes de armas, os traficantes e os psicopatas.


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11 de abril de 2013

DEVASSOS COM MODERAÇÃO


Loira, bonita, longas pernas. Vive apreensiva porque a carteira está vencida e ela já tem 47 pontos. Mas principalmente porque gosta de se divertir o que inclui, entre outras coisas, beber. Atualmente, quando vai dirigir, não bebe, mas tem medo de que, sei lá, o bafômetro detecte a cerveja de ontem, ou de todas que bebeu.  Acha que alguma coisa pode ficar, um resquício que se movimenta até na pele. Enfim, uma paranóia. Eu a tranqüilizo dizendo que não é porque comeu um bombom com licor ou uma dose de homeopatia que vai ser presa e terá a carteira apreendida. No caso do bombom ainda pode esperar 15 minutos e fazer um novo teste (o que é esperar, sozinha, tarde da noite, em lugares sinistros, 15 minutos numa blitz, com todos aqueles policiais barrigudos e mal encarados?). Depois de 15 minutos o organismo terá metabolizado o álcool. E no caso da homeopatia pode-se levar o recipiente e a receita médica. Pouca coisa frente às infindáveis coisas que você já leva dentro da bolsa. Além disso, digo – e isso é o que mais a tranqüiliza –  eles não param as loiras.

Nas propagandas, uma cerveja chama para a libertinagem (usando uma mulher, naturalmente), e logo em seguida recomenda “beba com moderação”. De fato, é coisa difícil de entender a adoção de regras para o que é devasso. O licencioso não quer saber de regras. Faz o que lhe vem à cabeça e não se envergonha de fazê-lo, ao contrário, até se  orgulha.

O controle traz segurança, dizem quase todos. É importante prevenir, dizem todos. É importante a ação da polícia, dizem todos.
E afinal, o que é uma blitz perto de um estupro? A diferença é que não há multa para estupro.  E o estuprador pode dirigir até mesmo uma van, sem ninguém que lhe recomende moderação, sem ninguém que lhe peça documentação. Sem que ninguém saiba (ou acredite) no que ele está fazendo agora ou fará dentro de 15 minutos.  

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