
Do que eu me
lembro, comida era para comer e o resto era para as galinhas. A carne era
embrulhada em jornal e o pão vinha num saco de papel.
Hoje as
galinhas não precisam mais de comida porque também não são mais as galinhas que
eram e a gente nem tem mais quintal e muito menos galinheiro. Além disso, os
jornais também estão contaminados e os sacos de papel custam os olhos da cara
em lojas de embalagens.
Nada era
descartável. Nem a palavra existia. A ordem era guardar. Sempre havia como
aproveitar. E é claro que havia oficinas de consertos que consertavam mil vezes
o mesmo aparelho.
E então
chegou a palavra: descartável. E as embalagens, indestrutíveis.
Fomos
inapelavelmente invadidos pelas embalagens em nome da higiene.
Até para
tomar um côco tem que ser na garrafinha de plástico, para gelar. E lá vem o
canudo com envelope. E tudo para o mesmo lixo.
Faço compras
na feira. Um abacaxi descascado vem envolto num plástico dentro de uma sacola
de plástico.
No
supermercado: frios em bandejas de isopor cobertos por plásticos. Para doces,
dois docinhos só, uma caixa (com tampa, de plástico) Se você quiser comprar uma
salada pronta, ela vem até com bandeja (descartável) para comer na cama.
Li
recentemente que nos restaurantes, até mesmo os pratos (os talheres já
são) terão que receber invólucros de plástico.
Se você
resolve comprar um equipamento eletrônico ou eletrodoméstico levará dois séculos
para se livrar da caixa de papelão, do isopor, do plástico bolha, da fita
colante. Mas você pensa que é só botar na lixeira e tudo está bem. O problema
não é mais seu.
Toda essa
sujeira foi inventada para resguardar a sua saúde, amigos. Para livrá-los das
bactérias, dos vírus, dos coliformes fecais e outros resíduos – enfrentados diariamente
por quem? Pelo gari. Aquele mesmo, que passa correndo, suando, sentindo o
cheiro infecto da sua comida, do seu cocô, ouvindo buzinas e desaforos de
pessoas que “precisam” chegar em casa para fazer mais lixo.
Onde foi que
tudo isso começou? Porque esse deslumbramento com o lixo plástico? Coisa de
subdesenvolvidos. A gente vira e mexe e dá sempre nesse lugar-comum. Emergentes,
só se conseguirmos romper a camada de plástico e metais que infestam lagoas e
mares.
A única
coisa certa é que foi tudo uma armadilha.
Os garis
estão em greve no Rio de Janeiro. Mas nem por isso as pessoas deixarão de consumir
o “seu” iogurte, a “sua” água com gás, “o seu” refrigerante favorito.
Brasileiro não junta uma coisa com a outra.
E francamente:
Alguém precisa se desfazer da tampa do vaso sanitário, daquela poltrona velha
ou do entulho da obra no banheiro justamente quando os garis estão em greve?
Isso é sujeira.
A coisa mais
importante dos últimos tempos foi a invenção de uma máquina, por um japonês, que
converte plástico em petróleo, resolvendo dois problemas de uma só vez.
Muita gente
fala até hoje em como o Japão conseguiu recuperar as cidades bombardeadas na
guerra. Verdade que recebeu uma montanha de dinheiro. Mas e daí? Não fosse o
povo empenhado na ação coletiva, nada teria acontecido.
Mas aqui é o Brasil, um país que cultua o
lixo. E esquece o lixeiro.
Isto que os nipônicos nos deram
ResponderExcluiruma aula de civilidade na Copa do Mundo,
ao fazerem mutirão de limpeza
no fim de cada jogo que participaram.