“SE MORAR É UM
DIREITO INVADIR É UM DEVER” (MST)
PREZADA D. DIDI,
a senhora já sabe tudo que aconteceu pela televisão
mas na televisão é uma coisa e aqui é outra
chegam primeiro os homens da prefeitura
vão construir um lugar melhor para todos
mas quando falam todos
nunca é a gente
depois chegam os polícia, chegam de noite,
pegam as nossas poucas coisas
e levam pro caminhão.
E nós?
As meninas estão grandes e perguntam pela senhora
por isso eu lhe peço pra ajudar
pode ser qualquer coisa
de um dia para o outro
a gente não tem mais nada
e ainda está viva
PAGAR PARA VIVER
Moro nessa casa há mais de 40 anos. Nasci aqui.
Meus pais já moravam, e ainda moram, mais meus irmãos com as famílias..
Agora eles chegam dizendo que não tenho escritura
que o terreno não é meu
que a área não é segura
Chegam à noite, chegam calados e derrubam
nossa porta.
O vizinho fica quieto. Ninguém diz não.
Se disser...
A mulher chora num canto
Eu não choro mais
Há muito tempo trabalho
e até pago
para ser pobre
O FIM DO AZUL
O homem chegou e disse que o governo ia precisar
desapropriar o meu terreno
e derrubar a minha casa
A prefeitura, ele diz, vai me indenizar e me dar uma casa melhor.
Sei, uma casa melhor a léguas daqui, onde vou perder horas
no transporte
e toda a freguesia.
Mas tinha jeito?
Assinei o papel.
Perdi o direito até de olhar o mar.
E era só olhar.
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Cara Helena, não seremos nação (mesmo em minúsculas) enquanto não soubermos dividir nosso território entre todos. Grato pela partilha. Abraços, Pedro.
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