14 de outubro de 2014

À QUEIMA-ROUPA

Assisti ontem à pré-estréia do documentário À queima-roupa, dirigido por Thereza Jessouroun sobre a ação da polícia frente aos pobres, com o beneplácito do Estado, sempre com o pretexto da guerra às drogas.
A polícia, como se sabe, é o braço armado do Estado. Se ela age mal e o Estado não toma nenhuma atitude, então ele também é responsável. Fingindo de morto ele mesmo, permite que os seus servidores, responsáveis pela segurança dos cidadãos, pratiquem toda a sorte de atrocidades, algumas identificadas com práticas da ditadura.
Investidos de uma autoridade maior do que a que realmente têm, pessoas despreparadas, corruptas e bestiais levam o pavor (até hoje) às comunidades pobres, enfiando o pé na porta e matando à queima-roupa famílias inteiras, pelo puro prazer de matar, conforme mostra o documentário, que aborda o período de 1993 a 2013, duas décadas de abuso e mortes cuja justificativa real é sempre o acerto de contas (em dinheiro).
Os depoimentos das vítimas que sobrevivem por milagre ou azar, ou de parentes de pessoas mortas, aliados às imagens, são de fazer chorar, de tristeza e impotência.
A guerra às drogas é a bandeira levantada para que a polícia cometa toda a sorte de atrocidades, quando todos sabemos que o verdadeiro motivo é o dinheiro. Um pouquinho pra mim, outro pouquinho para você. E assim as equipes da corrupção se movimentam de um esquadrão para outro, de uma delegacia para outra.
O filme é duro e triste e, na minha opinião, poderia ter economizado nas imagens com cadáveres, mas isso não lhe tira o mérito, que é grande. Corajoso e necessário, mas muito, muito difícil de suportar quando se conclui que passados tantos anos, a polícia ainda não recebeu uma cartilha nova.
Depois da apresentação do filme houve debate, (Julita Lemgruber, Ignacio Cano, Marcelo Freixo, Luiz Eduardo Soares e Vera Lúcia Silva, sobrevivente da Chacina de Vigário Geral), mas eu não fiquei. Nem sei sei poderia haver alguma pergunta da platéia emudecida por tanta verdade. 



À QUEIMA ROUPA
Dirigido por Theresa Jessouroun, com consultoria de Julita Lemgruber e Ignácio Cano, o
documentário À queima-roupa é um retrato forte e realista das barbáries cometidas por policiais na 
cidade do Rio de Janeiro, nos últimos vinte anos.
À queima roupa conta com uma inédita e polêmica entrevista de um X9, ex-informante da polícia, 
que se tornou a principal testemunha de acusação da Chacina de Vigário Geral, onde 21 pessoas 
foram assassinadas, em 1993.
O filme apresenta depoimentos do advogado João Tancredo, que tem se destacado por defender 
famílias de vítimas da violência, como nos casos do Amarildo e da Cachina do Alemão; do Promotor
Paulo Roberto Mello Cunha Junior, que trabalhava com a juíza Patricia Accioli; da Juíza Elizabeth 
Louro; da Promotora Carmem Elisa; do Desembargador José Muinoz Pinheiro Filho; do Coronel da PM 
Íbis Pereira; de Jadir Inacio, Rosane dos Santos e Vera Lúcia Silva, sobreviventes da Chacina de 
Vigário Geral; de mães de vítimas e de um sobrevivente da Chacina da Baixada, entre outros.
Ignacio Cano é sociólogo e pesquisador do Laboratório de Analise da Violência da UERJ. Julita 
Lengruber é coordenadora e fundadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da 
Universidade Candido Mendes, foi diretora geral do sistema penitenciário do Estado do Rio de 
Janeiro. 
Sinopse
Documentário investigativo sobre a violência e a corrupção da polícia do Rio de Janeiro nos últimos 
20 anos. O filme apresenta os fatos mais emblemáticos deste período do ponto de vista dos 
familiares, testemunhas, sobreviventes e demais envolvidos diretamente nos casos, como 
advogados, promotores e juízes. O filme parte da Chacina de Vigário Geral, de 1993, culminando 
com execuções cometidas em nome da lei, em 2012 e 2013. Os fatos são apresentados através de 
entrevistas, imagens de arquivo e cenas ficcionais que reconstroem a memória dos sobreviventes 
das chacinas. O filme traz o depoimento inédito de um X9, informante da polícia militar, que 
apresenta um quadro assustador do funcionamento interno de uma parcela dos policiais que agem 
em conivência com traficantes, resultando em atos de extrema violência contra a parcela mais 
carente da população.

4 comentários:

  1. O remédio contra o assassinato de farda é uma revolução, aquela que um dia sonhamos em nossos melhores sonhos.
    O resto é blablablabla... de sociólogo, dos especialistas, e demais enganadores de sempre.

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  2. https://www.facebook.com/escritorsergiocborges

    Livro: ESCRAVOS SOCIAIS E OS CAPITÃES DO MATO - CHACINA DE VIGÁRIO GERAL/ ED. CHIADO.

    “... é a primeira vez que um dos acusados da Chacina materializa em livro (o que é diferente de uma mera entrevista) a sua versão e análise dos fatos que culminaram com a sua prisão, denúncia e, ao final, absolvição pelos jurados (leia-se, a sociedade representada por sete pessoas), contrapondo-os... Em outras palavras, é o respeito à liberdade de expressão e ao contraditório que me motiva a apresentar a obra de Sérgio Cerqueira Borges... A coragem em se expor é facilmente constatada com a leitura do livro. Coragem que aprendi a admirar e, não posso deixar de consignar, se fez fundamental para o esclarecimento, se não da própria Chacina, para a identificação de parte dos covardes algozes que a cometeram.” (Desembargador do TJRJ – José Muiños Piñeiro Filho).

    “... Mas, de qualquer modo, estamos diante de um livro fundamentalmente importante para se compreender as contradições, perspectivas e deslizes da segurança pública no Rio de Janeiro nos últimos 30 anos. Borges não tem pudor em desvendar um passado sombrio que ele viveu como policial e também como réu de um crime que não cometeu. Esperamos que esta obra possa ganhar importância para futuramente possamos discutir com mais profundidade as corporações policiais...” (Jornalista, pesquisador e professor da PUC-Rio. Autor de” O negro na Polícia Militar: cor, crime e carreira no Rio de Janeiro” e “Mães de Acari: uma história de protagonismo social”).



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  3. https://www.facebook.com/escritorsergiocborges

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  4. http://www.travessa.com.br/escravos-sociais-e-os-capitaes-do-mato/artigo/d075c9c2-3eb2-49b5-bb93-1bdda5609f4a

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