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5 de abril de 2011

O QUE É O CRIME?



» 7 DE MAIO

  • BELO HORIZONTE
    Praça da Estação, 15h30
  • RIO DE JANEIRO
    Jardim de Alah, 14h

  • VITÓRIA
    UFES, 14h

» 8 DE MAIO

  • ATIBAIA
    C. de Conv. Victor Brecheret, 15h

» 15 DE MAIO

  • NITERÓI
    Praia de Icaraí, 14h

» 21 DE MAIO

  • SÃO PAULO
    MASP, 14h

» 22 DE MAIO

  • CURITIBA
    Santo Andrade, 15h
  • JUNDIAÍ
    Estação de Trem, 14h

  • PORTO ALEGRE
    Parque da Redenção, 15h

  • RECIFE
    Recife Antigo - Torre Malakof, 14h

» 27 DE MAIO

  • BRASÍLIA
    Catedral, 14h

» 28 DE MAIO

  • CAMPINAS
    Largo do Rosário, 13h

  • FLORIANÓPOLIS
    Trapiche - Av. Beira Mar, 16h

  • FORTALEZA
    Praça da Bandeira (Dq. de Caxias), 14h

  • NATAL
    Largo do Bar Astral, 14h

  • SALVADOR
    Campo Grande, 14h20

» 25 DE JUNHO

  • RIO DAS OSTRAS
    Concha Acústica/Praça São Pedro

Um ano passado, e eis que a Marcha da Maconha vai acontecer outra vez. Vai acontecer enquanto houver pessoas que se insurjam contra a proibição dos seus direitos individuais. Neste ano o movimento avançou bastante (você pode ver pelo número de cidades em que ela vai acontecer) com a criação do bloco Planta na Mente, que trouxe à cena carioca uma forma bem humorada de lutar pela causa. Também deu os seus passinhos para trás, quando as vaidades entraram em confronto diminuindo o que se deve somar. É da vida.
Você pode dizer que há muitas coisas pelas quais lutar, e achar que isso não tem importância.
Tudo tem importância quando se trata de uma lei da qual se aproveitam corruptos de várias vertentes, impedindo o livro plantio e o livre consumo.
Querem campanha de desarmamento? É necessário antes desarmar os espíritos, proporcionar uma educação que não seja para digitar senhas e baixar a cabeça, alguma coisa que resulte em resgate da dignidade há tanto tempo perdida, quando a escola pública foi desmantelada para dar lugar às escolas caça-níqueis. É com a educação que se criam as consciências para escolher isso ou aquilo. O que temos hoje são lugares muito bem pagos onde se aprendem coisas que ajudam (mas não garantem) as pessoas a acharem um emprego. Educação é outra coisa.
De Realengo, já vimos tudo. A Sra. Leilane Neubarth diz que agora é apagar os sinais e esquecer tudo. Pode? A Sra. Cláudia Costin achou uma solução ótima: vai pintar a escola. O senhor pároco já rezou a missa. Está de alma leve.

E aí, ó, quando tudo parecia meio que andando, com as UPPs instaladas e até mesmo o exército se retirando antes do tempo previsto do Complexo do Alemão, eis que os fora-da-lei surpreendem a todos (principalmente a polícia) com o assalto a uma agência do Bradesco na Rocinha. Nem se deram ao trabalho de se esconder. Foram de cara limpa mesmo, porque afinal, quem é que tem medo de uma política de firulas?
Muito assunto para pouco espaço? É assim mesmo. Tudo parece solto mas está ligado. As famílias de Nova Friburgo, do Bumba, de Teresópolis aguardam até hoje recomeçar a vida. Mas a vida não recomeça nunca. Segue, apenas.
Não se sabe como, mas um cartola da CBF afirma que espera o auxílio de poderes sobrenaturais para construir dentro do prazo o projeto que vai substituir a Granja Grumari como hospedeira da seleção, mais um Museu do Futebol e sei mais o quê.
E assim vai o Brasil: chutando.

E agora me lembro: de Brecht, claro:

"Que é um assalto a um banco diante de um banco?"







20 de dezembro de 2010

NATAL

Que pode uma criatura senão entre criaturas, dar espaço ao poeta para falar sobre o Natal?
......
NATAL

...
Fernando Pessoa


Nasce um Deus. Outros morrem. A verdade

Nem veio nem se foi. O Erro mudou.

Temos agora uma outra Eternidade,

E era sempre melhor o que passou.



Cega, a Ciência a inútil gleba lavra.

Louca, a Fé vive o sonho do seu culto.

Um novo Deus é só uma palavra.

Não procures nem creias: tudo é oculto.







O poema caiu em minhas mãos há poucos dias. Guardei-o, já aberto, para hoje, para dedicá-lo aos leitores desse blog que me permitiu, afinal, retornar à crônica, gênero a que me dediquei nos antigos anos da minha juventude.

Para a crônica nunca falta assunto. As coisas estão acontecendo o tempo inteiro, o mundo está em ebulição. Mas a maravilha é que o cronista pode escever sobre outra coisa, uma sombra que viu na parede ao cair da tarde. A janela envidraçada e uma roseira que tremia. Da rua vinha uma luz rosa, depois da chuva.

Mas é Natal, e ninguém consegue fingir que não é. Que posso dizer-lhes? Ritos e mitos. Acreditar ou não. Tudo é difícil. Mais difícil do que ser é crer. Mas sou uma voz anônima em relação ao mundo. Tenho leitores, é verdade, isso nos faz um mundo. Mas estamos inseridos em outro. E na hora da decisão, qualquer decisão, estamos sempre sós. Não sabemos bem no que isso vai dar, mas a dúvida é antiga e, ao que parece, não tem resposta.
Por mim, o mundo é esse corpo que carrego para todo o lado, essa alma tantas vezes esquiva, esquisita como eu, que me sacode todo o dia. Acordo e vejo: estou viva. E então vou viver. Firmeza ou insegurança, bom ânimo ou espírito derrotado. Todo o dia a mesma luta, alguma raiva, alguma ternura. E sempre as dúvidas, as decepções. A traição.
Mas é como aprendemos. Na porrada. Nada nos ensina a felicidade que passa num átimo e dizemos, perplexos: é ela. Erguemos o braço, já se foi.

O mundo somos nós, eu com o meu corpo até o fim, você com o seu. Caminhamos. Caminharemos até que se extingam os dias. Depois virão outros dias. E nós? Vá saber. Tudo é oculto.

Do chão, olho para o alto e pergunto. Quem responde é Gonzaguinha, embora também não possa confirmar.

"A vida poderia ser bem melhor e será,

mas isso não impede que eu repita:

é bonita, é bonita e é bonita."
...