
23 de setembro de 2010
PEQUENAS EMPRESAS GRANDES NEGÓCIOS

22 de setembro de 2010
TRÁFICO & PROGRESS0
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias - pátria minha
Tão pobrinha!
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Vinicius de Moraes
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Escritas assim, acompanhadas, as palavras tráfico e progresso parecem incompatíveis. No entanto, também elas fizeram aliança. O combate ao tráfico de drogas traz progresso? Para alguém deve trazer, considerando-se progresso o enriquecimento rápido com consequências letais. Do contrário não seria tão contundente e a ele não seriam oferecidas tantas verbas.
13 de setembro de 2010
CHORO BRASIL

11 de setembro de 2010
O QUE HÁ DE NOVÍSSIMO

Ai está: já viram que falo de Jomard Muniz de Britto. E devo dizer-lhes que essa criatura, esse filósofo ambulante, que habita salas ilustres ou praças de alimentação foi o responsável por uma inesquecível estada, minha e de Lou Viana em Recife, exatamente quando acontecia lá o projeto da Prefeitura A Letra e a Voz, do qual participaram escritores como João Silvério Trevisan, Raimundo Carrero, Bráulio Tavares, Marcelino Freire, Anco Márcio, Silviano Santiago, Rodrigo Lacerda, Ferréz e outros, que falaram, responderam perguntas e autografaram na bonita livraria Cultura (embora por vezes a livraria não tivesse para venda os livros em pauta), vizinha do Espaço Alfândega e da Rua da Moeda, onde terminavam as noites, inevitavelmente. Então era a vez dos poetas.
Miró, Malungo, Vitória, as Dremelgas, Urros Masculinos estiveram presentes até o outro domingo, quando o anfiteatro da Torre Malakoff foi tomado por uma multidão para assistir a finalíssima do concurso de poesia, o Recitata. Certamente 1000 pessoas (inclusive com torcidas organizadas) estiveram lá torcendo pelos seus preferidos, que receberam os merecidos prêmios. Poesia boa, performances originais, mistura com repente e cordel, uma surpresa a cada apresentação.
Dias absolutos em Recife, programa para marcar na agenda para o ano que vem, na esperança de estar entre poetas e principalmente conviver, respirar, rir e aprender muito na companhia de Jomard Muniz de Brito - cujo entusiasmo mais novo é a participação no próximo filme de Cláudio Assis.
Eis aí. Quem não souber quem é Jomard procure conhecê-lo. Ao menos para saber o que já fez, porque o que fará é imprevisível, e talvez nisso resida a sua juventude.
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6 de setembro de 2010
A CORAGEM DO ANONIMATO

Lembro as pregações entusiásticas, como se falasse de um palanque, apresentando argumentos imbatíveis. E uma resistência de soldado. Por outro lado, era a guardiã das vidas sem consolo, dos terminais, dos permanentemente necessitados, ao mesmo tempo em que abraçava causas que considerava justas, entregava-se nas amizades eternas e na vertigem dos temperos, com os quais nos levava aos céus.
31 de agosto de 2010
O QUE HÁ DE NOVO - Parte 1

5 de agosto de 2010
A MACONHA OUTRA VEZ
A verdade é que a coisa anda. E as verdades estabelecidas estão sendo contestadas por brasileiros em geral. Vai chegar uma hora que dizer não à legalização terá um péssimo efeito eleitoral, ao contrário dos ainda tímidos movimentos a favor. Mas a luta continua.
A MARCHA DA MACONHA
Carlos Fialho
Os jovens que marcharam na UFRN na última sexta-feira (30.07.2010) em defesa da liberação da maconha talvez nem saibam, mas foram protagonistas de um episódio histórico para Natal. Até bem pouco tempo, um ato semelhante a este seria impensável por aqui. Nessa capital com alma interiorana, temos o velho hábito de observar a vida alheia a partir das calçadas e janelas simbólicas da vida, verdadeiros tribunais sem direito a recursos ou instâncias posteriores, de onde tecemos juízo de valor sobre tudo e todos.
Um ambiente hostil como este resulta numa sociedade preocupada em excesso com opiniões alheias, seguindo hábitos e atitudes padronizadas pela maioria, pelos ditames de modas e frivolidades coletivas. É preciso manter certas aparências para ser aceito. Quem deseja transitar incólume pela zona de conforto da aprovação consensual não pode quebrar regras estabelecidas. Dos interesses culturais ao modo de vestir, tudo precisa seguir a cartilha.
O problema é que a cartilha em vigor faz de nós verdadeiros agentes da caretice. Homens e mulheres conservadores, assustadiços e frontalmente avessos a mudanças. Ela condena opiniões originais e ovelhas desgarradas, fazendo de Natal a cidade mais preconceituosa, machista, repressora e (o horror! O horror!) careta do Brasil. Nossa elite falida e, por extensão, nossa classe média odeia negros, pobres, mulheres com personalidade, gays e maconheiros. A mesma cidade que cultua a contravenção chique do lança-perfume, condena à fogueira os que se atrevem a experimentar a erva maldita.
Tudo isso, somado à boa e velha passividade do Natalense, cria uma situação de letargia e imobilidade difícil de reverter. No entanto, a sociedade, assim como você, o design automotivo e o vírus da gripe, pode evoluir. E esta evolução, que deixaria até Darwin surpreso, chegou até nós.
Algumas vozes tímidas e eventuais ergueram-se em meio a tirania do mesmo e manifestaram publicamente seu gosto musical “alternativo”, sua opção sexual distinta ou qualquer outra forma de subversão, levando à loucura os bastiões da elite natalense.
Porém, a primeira marcha da maconha vai mais longe ao reivindicar a liberação de uma substância proibida pela Constituição Brasileira. Um evento que eu julgava impossível de acontecer na terra dos magos reacionários. O próprio fato de as autoridades policiais terem ensaiado uma repressão e depois permitido, por pressão da opinião pública, é emblemático.
Demonstra que já admitimos opiniões diferentes. A marcha da maconha recupera em boa medida minha fé numa Natal melhor no futuro, com mais gente defendendo idéias e menos janelas para a vida alheia, com mais diversidade cultural e menos trios elétricos, com mais Casas do Bem e menos individualismos. Porque pra frente é que se anda. Ou se marcha.
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