
13 de setembro de 2010
CHORO BRASIL

11 de setembro de 2010
O QUE HÁ DE NOVÍSSIMO

Ai está: já viram que falo de Jomard Muniz de Britto. E devo dizer-lhes que essa criatura, esse filósofo ambulante, que habita salas ilustres ou praças de alimentação foi o responsável por uma inesquecível estada, minha e de Lou Viana em Recife, exatamente quando acontecia lá o projeto da Prefeitura A Letra e a Voz, do qual participaram escritores como João Silvério Trevisan, Raimundo Carrero, Bráulio Tavares, Marcelino Freire, Anco Márcio, Silviano Santiago, Rodrigo Lacerda, Ferréz e outros, que falaram, responderam perguntas e autografaram na bonita livraria Cultura (embora por vezes a livraria não tivesse para venda os livros em pauta), vizinha do Espaço Alfândega e da Rua da Moeda, onde terminavam as noites, inevitavelmente. Então era a vez dos poetas.
Miró, Malungo, Vitória, as Dremelgas, Urros Masculinos estiveram presentes até o outro domingo, quando o anfiteatro da Torre Malakoff foi tomado por uma multidão para assistir a finalíssima do concurso de poesia, o Recitata. Certamente 1000 pessoas (inclusive com torcidas organizadas) estiveram lá torcendo pelos seus preferidos, que receberam os merecidos prêmios. Poesia boa, performances originais, mistura com repente e cordel, uma surpresa a cada apresentação.
Dias absolutos em Recife, programa para marcar na agenda para o ano que vem, na esperança de estar entre poetas e principalmente conviver, respirar, rir e aprender muito na companhia de Jomard Muniz de Brito - cujo entusiasmo mais novo é a participação no próximo filme de Cláudio Assis.
Eis aí. Quem não souber quem é Jomard procure conhecê-lo. Ao menos para saber o que já fez, porque o que fará é imprevisível, e talvez nisso resida a sua juventude.
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6 de setembro de 2010
A CORAGEM DO ANONIMATO

Lembro as pregações entusiásticas, como se falasse de um palanque, apresentando argumentos imbatíveis. E uma resistência de soldado. Por outro lado, era a guardiã das vidas sem consolo, dos terminais, dos permanentemente necessitados, ao mesmo tempo em que abraçava causas que considerava justas, entregava-se nas amizades eternas e na vertigem dos temperos, com os quais nos levava aos céus.
31 de agosto de 2010
O QUE HÁ DE NOVO - Parte 1

5 de agosto de 2010
A MACONHA OUTRA VEZ
A verdade é que a coisa anda. E as verdades estabelecidas estão sendo contestadas por brasileiros em geral. Vai chegar uma hora que dizer não à legalização terá um péssimo efeito eleitoral, ao contrário dos ainda tímidos movimentos a favor. Mas a luta continua.
A MARCHA DA MACONHA
Carlos Fialho
Os jovens que marcharam na UFRN na última sexta-feira (30.07.2010) em defesa da liberação da maconha talvez nem saibam, mas foram protagonistas de um episódio histórico para Natal. Até bem pouco tempo, um ato semelhante a este seria impensável por aqui. Nessa capital com alma interiorana, temos o velho hábito de observar a vida alheia a partir das calçadas e janelas simbólicas da vida, verdadeiros tribunais sem direito a recursos ou instâncias posteriores, de onde tecemos juízo de valor sobre tudo e todos.
Um ambiente hostil como este resulta numa sociedade preocupada em excesso com opiniões alheias, seguindo hábitos e atitudes padronizadas pela maioria, pelos ditames de modas e frivolidades coletivas. É preciso manter certas aparências para ser aceito. Quem deseja transitar incólume pela zona de conforto da aprovação consensual não pode quebrar regras estabelecidas. Dos interesses culturais ao modo de vestir, tudo precisa seguir a cartilha.
O problema é que a cartilha em vigor faz de nós verdadeiros agentes da caretice. Homens e mulheres conservadores, assustadiços e frontalmente avessos a mudanças. Ela condena opiniões originais e ovelhas desgarradas, fazendo de Natal a cidade mais preconceituosa, machista, repressora e (o horror! O horror!) careta do Brasil. Nossa elite falida e, por extensão, nossa classe média odeia negros, pobres, mulheres com personalidade, gays e maconheiros. A mesma cidade que cultua a contravenção chique do lança-perfume, condena à fogueira os que se atrevem a experimentar a erva maldita.
Tudo isso, somado à boa e velha passividade do Natalense, cria uma situação de letargia e imobilidade difícil de reverter. No entanto, a sociedade, assim como você, o design automotivo e o vírus da gripe, pode evoluir. E esta evolução, que deixaria até Darwin surpreso, chegou até nós.
Algumas vozes tímidas e eventuais ergueram-se em meio a tirania do mesmo e manifestaram publicamente seu gosto musical “alternativo”, sua opção sexual distinta ou qualquer outra forma de subversão, levando à loucura os bastiões da elite natalense.
Porém, a primeira marcha da maconha vai mais longe ao reivindicar a liberação de uma substância proibida pela Constituição Brasileira. Um evento que eu julgava impossível de acontecer na terra dos magos reacionários. O próprio fato de as autoridades policiais terem ensaiado uma repressão e depois permitido, por pressão da opinião pública, é emblemático.
Demonstra que já admitimos opiniões diferentes. A marcha da maconha recupera em boa medida minha fé numa Natal melhor no futuro, com mais gente defendendo idéias e menos janelas para a vida alheia, com mais diversidade cultural e menos trios elétricos, com mais Casas do Bem e menos individualismos. Porque pra frente é que se anda. Ou se marcha.
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4 de agosto de 2010
O MEU VOTO É PARA MULHER
De qualquer forma acho que a campanha está quente. Há duas mulheres na parada, e digam o que disserem eu as acho lindas. As duas. Duas mulheres concorrem ao cargo de presidente do Brasil e isso não é fácil, meus amigos. Não é fácil enfrentar o machismo, o cinismo, as abusadas práticas masculinas "no trato" com as mulheres.
São capazes e corajosas, as nossas candidatas.
Ao contrário do que dizem, a campanha não está fria, está quente. Alguma coisa está em ebulição porque estamos no Brasil, esse maravilhoso e atrasado país e ainda assim há duas candidatas. E elas vão ganhar!
Valem ainda os costumes, e os costumes nunca favorecem a mulher. Existem as leis, mas leis são insuficientes. Existem os serviços, mas os serviços não são eficazes. As mulheres precisam de tudo o que lhes foi negado. Há muito tempo que eu acho, e até escrevi sobre a criação de um partido das mulheres, onde elas se organizassem de modo próprio, sem o modelo masculino. O partido não aconteceu, mas aí temos duas candidatas.
Lula venceu um dia e era operário. Quem diria? Um negro venceu nos Estados Unidos. Decepcionou? Não interessa. Sempre é um avanço. O próximo passo é a vitória de uma mulher. A história é assim, lenta, cansativa, só responde de geração em geração. Não é para ver. É só para avançar.
O título da postagem não é meu. Foi como respondeu o André, moço bonito que vende quiche na praia, ao ser perguntado sobre em quem ia votar. Não teve dúvida: Meu voto é para mulher. Gostei da resposta e lhe disse: Isso é que é voto de homem!
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MACONHA, PORTA DE ENTRADA?
Marcos Rolim é advogado e político gaúcho. Lembro dele, dos meus tempos de Assembléia Legislativa no Rio Grande do Sul como um quadro novo do PT que se dedicou, no primeiro mandato, à questão (ou ao imbroglio) da segurança pública. Lembro das discussões que conduzia, dos interrogatórios...e dos resultados. Achava-o um pouco autoritário, mas muito inteligente e muito rápido no raciocínio. Bom orador.
Pois o tempo passou, e eis que aquele valente militante, depois representante do PT está agora às voltas com o assunto que é mais grave que o caos da segurança pública e o tráfico de traficantes. Trata-se do crack - a peste.
Não posso convencê-los? Fiquem com Marcos Rolim. Garoto inteligente. E como escreve bem!
E ó, não é propaganda não. Nem sei se ele é candidato. Nem mesmo se ainda é deputado. Me interessam as idéias.
MACONHA PORTA DE SAÍDA?
por Marcos Rolim*
A epidemia de crack é um dos fenômenos mais sérios na interface entre saúde pública e segurança. O que a faz particularmente grave é a reconhecida dificuldade de superar a dependência química. Pois bem, a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) realizou pesquisa com 50 dependentes químicos de crack que foram submetidos a um tratamento experimental de redução de danos. Sob a coordenação do psiquiatra Dartiu Xavier, o grupo foi tratado com maconha. Daquele total, 68% trocou o crack pela maconha. Ao final de três anos, todos os que fizeram a troca não usavam mais qualquer droga (nem o crack, nem a maconha). Anotem aí: todos.
Imaginei que, com a divulgação destes resultados por Gilberto Dimenstein, na Folha de S. Paulo em 24 de maio, haveria grande interesse sobre o estudo. Nada. A resposta ao mais impressionante resultado de superação da dependência de crack no Brasil foi o silêncio. O uso medicinal da maconha tem sido admitido em dezenas de países, inclusive nos EUA. Por aqui, o tema segue interditado pela irracionalidade. É evidente que o consumo de maconha pode produzir efeitos danosos. Sabe-se que o abuso pode conduzir o usuário a problemas de concentração e memória e que em determinadas pessoas o uso está correlacionado à precipitação de surtos esquizofrênicos. Daí a criminalizar seu consumo e impedir experiências destinadas ao uso medicinal vai uma distância que tende a ser percorrida pela intolerância e pelo obscurantismo.
O psicofarmacologista Eduardo Carlini sustenta que o princípio ativo da maconha pode ser útil no combate à depressão e ao estresse. O mesmo tem sido dito por cientistas quanto ao tratamento do glaucoma, da rigidez muscular causado pela esclerose múltipla, ou como apoio aos pacientes com Aids, aos que sofrem do mal de Parkinson e aos que se submetem à quimioterapia em casos de câncer. Estudo da USP com pacientes que ingeriram cápsulas de canabidiol, um dos compostos encontrados na erva, demonstrou resultados positivos no tratamento da fobia social e na redução da ansiedade.
As oportunidades abertas por estudos do tipo, entretanto, assim como a necessária pesquisa, estão impugnadas no Brasil por um discurso preconceituoso e por uma legislação ineficiente e estúpida. Seguimos repetindo que a maconha é “a porta de entrada” para o consumo de drogas mais pesadas, o que pode traduzir tão-somente uma “falácia ecológica” (quando se deduz erroneamente a partir de características agregadas de um grupo), vez que o universo de consumidores de maconha é muitas vezes superior ao grupo dos dependentes de drogas pesadas que se iniciaram pela cannabis. Em outras palavras: é possível que a maconha seja mais amplamente uma opção alternativa às drogas pesadas e não uma droga de passagem. Independentemente disto, é possível que a maconha seja uma porta de saída para a dependência química por drogas pesadas. O que, se confirmado, será uma ótima notícia.
marcos@rolim.com.br
*Jornalista
Texto publicano no Jornal Zero Hora de Porto Alegre, RS
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