19 de outubro de 2010

RAZÃO E OBSCURANTISMO

Esta é uma entrevista que não posso deixar de divulgar porque é tão simples, tão singela, tão evidente do que é o moralismo vigente (no jornalismo!!!) que parece até que não é verdade tudo por que passam, e passarão, os povos submetidos a políticas arbitrárias e ditatoriais que pretendem decidir sobre a vontade inalienável de cada cidadão.
A entrevistada é a Professora Gilberta Acselrad, Coordenadora do Núcleo de Estudos sobre drogas, Aids e direitos humanos da UFRJ.
A entrevistadora(céus!) é essa senhora que vocês conhecem -- Leilane Neubarth.



http://www.youtube.com/watch?v=J53SNRZgowU


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11 de outubro de 2010

CAPITÃO NASCIMENTO E PIPOCAS


O Capitão Nascimento vem agora como tenente-coronel. Nem quero imaginar as coisas por que passou até chegar até aqui. Ainda não vi o filme, mas lembro de um jovem equivocado, como se pode ser equivocado na juventude. Um iludido, com laivos visionários. E tão ardorosamente destemido.

Wagner Moura faz o personagem. Um embate cruel de criaturas, umas pela sobrevivência no crime, outras pelo equívoco. O Estado mantém pretos e brancos pobres em campos opostos a partir da escolha de submeter ou ser submetido. Na busca pela sobrevivência, a polícia acaba sendo a primeira opção. Salário pouco, mas certo, pra que a miséria não bata à porta. E ainda tem as despesas com celular, etc.

Sempre penso que às vezes o policial encontra um primo, o vizinho, o filho da Dona Didi, o amigo das quebradas. E mata o mano por uma razão que nem é dele.

Espero que os santos todos da Bahia mais a força dos terreiros ajudem aquele fio da terra que venceu nos Rio de Janero. Não é um herói de guerra de verdade. Mas alguma coisa é de verdade?
Vou ver o filme também pelo José Padilha. Um cara bom de filme e de mídia, uma promessa.

Está faceiro, eu vi numa entrevista. E bem merece. Um filme é antes de tudo uma obra de arte, e vocês sabem que um dos elementos essenciais para quem ama o cinema é que ele seja visto em silêncio. (Ah, se me ouvissem os pipocantes de cinema).
As pipocas (sacos enormes!) - um desrespeito aos trabalhadores do cinema, de todos os níveis, além do desrespeito ao vizinho, que pagou a mesma coisa.
Buñuel filmou uma cena em que os convidados saem da sala de jantar, onde estão sentados em vasos sanitários, em volta da mesa, e vão comer, privadamente, num cubículo onde a comida chega sem que se tenha contato com ninguém. Coisa de surrealista. Deu outra. Ninguém pode mais ficar hora e meia sem encher a pança.
Meu amigo, por favor: então um batalhão de gente faz um filme para você, espectador, mobiliza um sem número de equipamentos e trabalhadores, de diretores a carregadores de balde, e você, cidadão, você, um cara inteligente que sabe tudo sobre a invasão cultural que os do norte perpetraram contra nós - você! - come pipocas sobre o Capitão Nascimento? Francamente, assim você desmoraliza a nossa Polícia.


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9 de outubro de 2010

ABORTO HOMOSSEXUALISMO DROGAS

É assunto demais para uma simples postagem? Não mesmo, é tudo a mesma coisa. Tudo tem a ver com a liberdade individual, aquilo que a pessoa pode escolher ser ou fazer sem que ninguém tenha nada a ver com isso.

Há um filme francês em cartaz "Le refuge" em que a personagem, viciada em heroína, descobre que está grávida. O médico lhe diz que ela pode escolher entre ter ou não ter o bebê, mas que receberá os cuidados necessários, seja qual for a sua escolha. E é assim que deve ser. À mulher cabe decidir se quer ou não o filho. E aos médicos cabe acatar a decisão. Quanto ao governo, só tem que dotar o sistema de saúde de modo a atender a todos. O resto é conversa. Como já se viu, não é mais possível ignorar o número de mulheres que morrem por falta de cuidados médicos quando querem interromper a gravidez.

Melhor que não o fizessem, que nem pensassem em fazê-lo, mas se elas consideram que não podem criar os filhos ou não se consideram aptas para serem mães, não há lei que as faça desistir de interromper a gravidez. Morrem por isso. Nem se dão conta, mas morrem pela defesa de uma liberdade individual com a qual já nasceram e ninguém - ninguém - tem o direito de usurpar. É uma morte miúda, solitária, que acontece em quartinhos escuros, em clínicas infectas onde se esvaem com sangue quantas esperanças.

A mesma coisa acontece com os usuários de drogas. Quanto maior a repressão, mais aumenta o número de pessoas que usam drogas e não querem deixar de usar. O governo, ao invés de organizar o comércio, patrocina a guerra.
Evidente que sempre há os que se dão mal, como no caso dos abortos. Mas esses casos devem ser tratados da mesma maneira. A saúde de cada pessoa deve ser defendida, e não os pretensos valores morais, os interesses imorais e os julgamentos religiosos. Se o padre ou o pastor acham que a mulher deve ter o filho que não quer, eles que cuidem. (embora isso talvez represente um risco maior para a criança).
Será que a falta de cuidados com o aborto tem a ver com a repressão às drogas? Afinal, as mortes maternas são quase sempre entre pobres. Também os presos (e mortos) em virtude do combate às drogas são na grande maioria pobres. Será paranóia? Mas é muita coincidência não é?

E o homossexualismo? O homossexualismo também é uma escolha indvidual, a despeito do que digam católicos ferrenhos ou evangélicos fanáticos. A falsa moral fez com que vivessem muito tempo escondidos e condenados, mas resistiram, lutaram, muitos morreram. Agora estão livres, pelo menos nas grandes cidades, embora exista um homofóbico em cada esquina. Mas esses não se atrevem como se atreviam antes. Os homossexuais são bem sucedidos, fazem paradas alegres, as famílias levam as crianças, o ramo hoteleiro exulta. Houve avanços. O problema é que as lutas específicas não ajudam as outras. E como dizia Simone de Beauvoir (é sempre bom lembrar), Querer-se livre é também querer livres os outros.
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7 de outubro de 2010

A POESIA É A ÚNICA SAÍDA PRO NADA

(Lou Viana)


Ontem vi um filme coreano chamado Poesia, apresentado no Festival. Foi o título que me atraiu, claro. Mal consigo assistir a um ou dois filmes do festival, todo o ano. Mas por esse eu fui. E esperei. Eu e uma multidão que aguardava em fila e grande animação. Fiquei pensando como, de repente, um público tão diverso pode ter se interessado por poesia. Bons ventos.
No filme a personagem é uma senhora aposentada que quer, em meio à sua tumultuada vida, escrever um poema. Um, que seja. Ela participa primeiro de aulas, depois de encontros com leitura de poesia no Centro Cultural da cidade. O filme é bonito e triste. As leituras são boas e divertidas.
Não vou contar o filme. Mas poucas vezes tive oportunidade de ver no cinema a poesia pontificando. Fiquei feliz, claro, que alguém tenha pensado nisso e feito um belo trabalho.

Não bastasse, hoje recebo a chamada para a entrevista feita por Selmo Vasconcellos, no blog http://antologiamomentoliterocultural.blogspot.com/2010/10/lou-viana-entrevista-n-266.html,
que publico abaixo na certeza de que vão gostar de conhecer a grande figura que é Lou Viana e sua poesia essencial, engraçada, desafiadora.


LOU VIANA




PEQUENA BIOGRAFIA

LOU VIANA é graduada em Letras e Psicologia. Tem especialização em Literatura Brasileira e em Literaturas Africanas e Mestrado em Teoria Literária, título da dissertação: "O saber do humor". De 1999 a 2007, participou da comissão editorial do Jornal Panorama e do Poesia Viva (jornais de poesia da cidade do Rio de Janeiro). Publicou: "O céu do lençol" pela Sette Letras em 1996 (nome de autora: Luiza Viana") e "Fina ficção" em 2010 pela Editora da Palavra (nome de autora: Lou Viana). Tem poemas citados no livro de Jomard Muniz de Britto "Atentados Poéticos", Editora Bagaço, Recife, e no artigo de Gustavo Bernardo "O Nominalismo Medieval na Base da Fenomenologia Moderna", do Seminário do Instituto de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro em 2000.

COMENTÁRIOS SOBRE "O CÉU DO LENÇOL" :

ANTONIO CARLOS SECCHIN: "Luiza Viana retoma com felicidade o veio da escrita epigramática: ' Poesia é a única saída pro nada': humor ferino, amor felino ('nessa carícia de veludo'), em alta voltagem poética.”

MANOEL DE BARROS: “Sua poesia é puro afago para a inteligência e a sensibilidade. Poemas substantivos, sem sestros, enxutos. Sem truques. A pura essência do ser”.

COMENTÁRIOS SOBRE "FINA FICÇÃO":

JOMARD MUNIZ DE BRITTO: "Você não faz nem pretende fazer hai-kais, poema segundo, amor-humor, rumor-urbano porque denega toda a retórica pós-moderna e iluminações da mais finita eternidade".

RITA MOUTINHO: “Gostei muito de seu "Fina ficção" em que mostra muita coerência com toda sua poesia anterior, uma personalidade poética bem definida. Você nos transmite uma enormidade de sentimentos com um mínimo de signos expressivos.Interessante sublinhar como você titula bem, estando os títulos indissoluvelmente ligados com o texto do poema.”

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS -Quais as suas outras atividades além de escrever?

LOU VIANA - Tenho grande interesse pela educação de crianças e adolescentes. Realizo oficinas literárias utilizando exercícios teatrais e a leitura de contos ou poemas que levam o sujeito a refletir e a se expressar. Os exercícios teatrais facilitam o surgimento da espontaneidade e da integração entre os membros do grupo.
A essência da proposta é a ênfase no pensar: pensar sobre si, as relações com o outro, com a vida, com o mundo concreto. Busca-se o desenvolvimento da pessoa e a reflexão sobre sua ação no mundo. A leitura do texto literário em grupo, e a conseqüente troca de idéias e respeito à opinião do outro, abre o campo de percepção do sujeito e amplia sua visão de mundo.


SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?

LOU VIANA - Sempre li muito, desde criança. Nessa época, adorava poemas que continham um certo humor, ou muito dramáticos. Era muito sensível ao ritmo dos textos, rimas incomuns e à musicalidade das palavras. O interesse na literatura sempre foi básico em minha vida. Fiz Curso de Letras e dei aulas de Português, sempre buscando despertar o aluno para o texto literário.
Quanto à minha escrita própria, ela surgiu a partir da necessidade de escrever para me compreender, uma espécie de desabafo. Com o passar do tempo ela foi adquirindo concretamente um desenho de poesia, adquirindo um ritmo poético. Foi se condensando: de uma forma dramática povoada de explicações para algo mais sucinto, mais enigmático.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais são seus livros publicados dentro e fora do Brasil?

LOU VIANA - Publiquei "O céu do lençol" (poesia) pela Sette Letras em 1996 e agora, em 2010, "Fina ficção" (também poesia), pela Editora da Palavra - ambas as editoras são do Rio de Janeiro. Pretendo proximamente reeditar "O céu do lençol" e publicar minha dissertação de Mestrado: " Ítalo Calvino e o saber do humor ".

SELMO VASCONCELLOS - Quais os impactos que propiciam atmosferas capazes de produzir poesia?

LOU VIANA - O que posso dizer a partir de minha experiência é que a poesia surge geralmente a partir de um forte apelo emotivo. Porém mesmo quando a poesia se origina mais da determinação da vontade, tem de haver total entrega à escrita - vencer a angústia ao papel em branco - para a produção do poema. Existe também a necessidade de se estar totalmente "distraída", alienada da compulsão repetitiva do cotidiano. Outra coisa importantíssima, que induz à escrita e a seu aprimoramento, é a leitura de bons autores, aqueles com quem a gente se identifica.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que admira?

LOU VIANA - Sempre li e reli a poesia de Fernando Pessoa. O conceito de beleza, para mim, se expressa plenamente na forma poética de João Cabral de Melo Neto. Meus ficcionistas preferidos são Gabriel García Márquez (com o romance "Cem anos de solidão" e seus contos maravilhosos), Machado de Assis e sua ironia reveladora e Dostoiévsky que descortina, de forma dramática, os lados mais sombrios da alma humana. Não posso também deixar de destacar Ítalo Calvino e seu romance "Palomar", que impulsionou minha dissertação de Mestrado sobre o saber do humor.

POEMAS

Todo ser carrega em si
a maldição e a bênção
de existir


Metamorfose

A Clarice Lispector

Me sonhei com asas
acordei bicho rasteiro


Deusmônio

Você é um monstro com asas
Eu, um anjo com garras


Doce trama

A João Cabral

Quero partilhar com alguém
minha vida, labor,
suor e lágrimas

Com o tesão que fervilha
em praça de touros de Espanha

e nas minhas entranhas


Poeta

A vida me
escreve
nas entrelinhas


Auto-retrato

Pernas grossas e varizes
nariz tolo
torto pensamento
algumas próteses

Não sou a maior das maravilhas
nem a pior das hipóteses


Ano 2020

Mais uma mulher
que cede à tentação
de posar vestida


Vôo das letras

A Machado de Assis,
in memoriam

Intelectual tupiniquim
toda a pompa e circunstância

Porque ninguém é de ferro

In: Fina Ficção, Ed.da Palavra, Rio de Janeiro, 2010.

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2 de outubro de 2010

CONTER NÃO É PACIFICAR

Eleições.

O que mais me perturba é que um enorme e significativo número de brasileiros não se dê conta de que o anseio maior para quem vive no território nacional (não era, mas se tornou), que é segurança, vai na contramão da legalização das drogas.

Como é possível que não percebam que o grande número de civis e militares brasileiros mortos tem a ver com a guerra às drogas, que já foram legais e depois passaram a não ser? Por que? E o custo dos armamentos, a venda ilegal, os subornos, as comissões, a corrupção em geral? Mas não é nem isso o mais importante. O importante é que se não houver tráfico, o menino não será seduzido pelo dinheiro rápido e a ascensão (e queda) meteóricas.

Não nos enganemos com ações pacificadoras. A guerra interessa a quem lucra mais. É preciso preservar os ganhos. E as eleições vão passar. Depois virão outros interesses.
E o amor ao dinheiro passa por cima (atirando) de todas as comoções.
Não existe pacificação armada. Pacificação armada é controle, é contenção. A tensão lateja, aumenta o ódio. Mas até quando durará a estratégia? Levaremos quanto tempo mais para desco brir quem mente, e sempre, não importa de que lado sopre o vento?

As crianças ficam muito tempo frente aos computadores, dizem. Mas onde é que as crianças podem ir? Tudo é perigoso, nada mais é maravilhoso.

Há caminhos a trilhar, portanto. A luta por idéias sempre foi a mais difícil. As posições são facilmente mudadas, mas as idéias estão lá, e não se calam. É preciso aprender a reconhecer as velhas mentiras, os momentos em que elas se espalham, as fontes de onde vêm.

Você, que já acredita que a guerra às drogas é apenas um nome falso para a guerra aos pobres, vote em Renato Cinco - 5055
e André Barros - 13551
Ou você também acha que é melhor matar?


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23 de setembro de 2010

PEQUENAS EMPRESAS GRANDES NEGÓCIOS


Como não voltar ao assunto que mais se destaca nos jornais? Não estou falando de eleições, mas da guerra às drogas. As eleições passam, a causa da legalização fica.

Pois bem, não posso deixar de refletir que pai e filho presos por plantarem maconha numa cobertura devem estar agora numa pior. No entanto, não fosse a hipocrisia da lei, convenhamos: que grande idéia: primeiro, estão plantando, o que já é ótimo (fazem o contrário da prefeitura, que cortou o que pôde de árvores no Morro da Catacumba); em segundo, produto de altíssima teor de pureza, pelo que se viu da literatura à disposição, da origem das sementes e dos instrumentos para o cultivo; terceiro, se chegassem a oferecer no mercado seria um produto com garantia de qualidade.

Não fosse a hipocrisia da lei, teríamos aí dois empreendedores. No entanto, lá estão eles enquadrados como criminosos, às voltas com a justiça que teima em não olhar para o futuro. Francamente, vocês acham que eles não ganhariam um prêmio do SEBRAE?
Tudo - absolutamente tudo - é uma questão de ponto de vista.


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22 de setembro de 2010

TRÁFICO & PROGRESS0

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias - pátria minha
Tão pobrinha!

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Vinicius de Moraes
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Escritas assim, acompanhadas, as palavras tráfico e progresso parecem incompatíveis. No entanto, também elas fizeram aliança. O combate ao tráfico de drogas traz progresso? Para alguém deve trazer, considerando-se progresso o enriquecimento rápido com consequências letais. Do contrário não seria tão contundente e a ele não seriam oferecidas tantas verbas.

No entanto, considerando progresso como a evolução da experiência humana, nos damos conta de quanto é prejudicado, uma vez que tem origem no preconceito e na força (armada) da autoridade.
Assim como o tráfico de influência, ao tráfico de drogas interessa, nos acertos ao pé do ouvido, os lucros e as comissões. Os danos são as vítimas sem nome. São negros, mulatos e brancos - todos pobres. Almas com frio, como escreve Dante Milano.
Saber o quanto falta esgoto no Brasil nos enche de vergonha. No entanto, na hora de votar, a televisão mostra os funcionários do governo levando as urnas em lanchas. para o eleitor semi-analfabeto, sem dentes e sem esgoto. E ele se sente importante. É o único dia em que ele importa.
Mesmo com as promessas de educação integral de Marina Silva; de saneamento básico, de Dilma ou de 13º para o Bolsa Família, de Serra, não nos iludamos. O combate ao preconceito não está em programa nenhum. E nós ainda estamos nesse pé.
O Brasil pagou a dívida com o FMI. Ninguém respeita um devedor - diz a candidata Dilma Roussef.
É o ponto de vista de quem só vê um tipo de conta.
Há outras contas de que somos credores e não cobramos. Por exemplo, as vítimas da política de combate às drogas, que acatamos, no melhor estilo norte-americano: homicida. Porque combater as drogas significa matar, sistematicamente, os moradores das periferias das grandes cidades, e de quebra quem estiver passando por perto. Mas os pobres são os preferidos. São tantos! E não fazem renda. Dão trabalho. É preciso educá-los e dar-lhes emprego? Mas eles são tantos! Mal sabem digitar uma senha.
O Brasil mudou, é certo. As estradas estão melhores, a comunicação digital é uma mania, a Petrobras é um sucesso? Isso não é progresso.
Progresso é caminhar com soberania, garantindo a cada um a liberdade que já é de cada um, e oferecendo condições de que a Nação evolua igualmente.
E isso, caros amigos, não se faz com armas.
Enquanto perdurar essa situação, não importa o quanto a publicidade (e os bancos) lhes ofereçam condições de ter um belo apartamento, um carro possante e boas aplicações. Você estará sempre sentindo o cheiro do ralo.
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